Modalidade: Narração
Proposta: Transformar reportagem jornalística em narração
Manchete: Garoto se passa por menina e engana juiz de menores no Rio
Era um menino diferente dos outros. Seus olhos opacos deixavam explícitas toda a raiva e a incompreensão que habitavam aquele pequeno corpo magricela. Também, pudera! A única família que José Carlos possuía era um tio, que vivia afundado em drogas. Acontece que ninguém na escola sabia disso. Sabiam que ele era violento e que gostava de intimidar os mais novinhos. Sabiam que a turma do último ano, grupinho da pesada, um dia ia pegar José de jeito. E pegaram!
Era uma sexta-feira e Zezão (como o chamavam) voltava para o muquifo que chamava de casa. De repente, vozes e um barulho estrondoso o fizeram olhar para trás. Mas era tarde e a dor logo atingiu sua cabeça, e foi se espalhando por todo seu pequeno corpo já ensangüentado. Depois disso, só se lembrou da vizinha, uma senhorinha antipática, ajudando-o a se levantar e, de acordar em uma Delegacia de Proteção e blá-blá.
José sabia que tipo de gente ia parar naquele lugar. Pessoas assim, como ele, sem jeito, sem respeito. É claro que alguém ia bater nele! Foi então que uma idéia veio-lhe à cabeça: “Sou uma menina, porque meninas não baterão com força em mim!” – A mentira contada foi aceita sem nenhum obstáculo. Passou pelas secretárias, pelo juiz, pelas companheiras de quarto, mas não passou por Nicole, garota detestável! Sua face, por si só, demonstrava a pura intenção de estragar a vida de José. Pois eis que ela descobriu José Carlos no banho e contou para todos que pôde.
A humilhação do garoto foi tamanha que este perdeu, de vez, a razão e foi parar num manicômio. Não recebia visita nenhuma além daquela esquisita vizinha que preferiu levá-lo à delegacia que ao conforto do seu lar.
Raíssa A. Vieira, 16.
Um ato de maldade
Postado por Denise de Oliveira Bertolino Braido
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