Tema: Semiologia de um objeto
Modalidade:
Crônica
Título: O
cigarro diz
Não existe mais comprovada maneira de saber se uma pessoa é ansiosa do
que observar se ela fuma cigarros ou não.
A maioria, senão todos que fumam, sofre diariamente com a ansiedade. Além
de quando eles estão com o cigarro na boca ou no dedo, se observarmos seus
gestos, saberemos como seu estado emocional está.
Usarei meu primo como exemplo: toda vez que o rapaz estava nervoso,
quando o cigarro não estava na boca, ele ficava batendo na parte inferior do
cigarro constantemente com o seu polegar, para a cinza acumulada na parte de
cima cair. E isso não parava, e quando ele ficava fazendo este gesto, pode ter
certeza: algo o afligia.
Aquelas pessoas que nós vemos andando no calçadão, que dão tragadas extremamente
demoradas e profundas podem nos mostrar com esses gestos que elas já estão em
um estado avançado de dependência do cigarro, ou mais especificamente, da
nicotina.
Outro gesto que pode nos mostrar que a pessoa está mais nervosa que o
normal, é o tanto de tragadas, ou seja, o tanto de vezes que ela leva o cigarro
à boca por minuto. E como um comentário pessoal, digo que nada me irrita mais
do que uma pessoa fumando ao meu lado, e quando ela traga inúmeras vezes
rapidamente, me irrita mais.
Há também os preguiçosos, que nem tirar o cigarro da boca tiram,
deixam-no no canto da boca até ele acabar, sempre tragando e baforando a fumaça
para fora. Se percebermos, os únicos que fazem isso são os desleixados, que
geralmente andam com aquelas roupas velhas e acabadas. Típico de um sertanejo
das histórias brasileiras.
Então, no mundo de hoje em que os costumes e sentimentos estão tão
explícitos, uma coisa tão banal como o cigarro, quando usado, pode dizer muita
coisa.
Aluno: Henrique
Afonso Garcia Buzo, 17.
Modalidade: dissertação
Método dedutivo c/ contra-argumentação
Tema: A TV
manipula as pessoas
Título: Feitiço
contra feiticeiro
A influência da televisão na vida das pessoas é um fato inquestionável,
que vem sendo discutido, durante anos, pela sociedade. No entanto, o que deve
ser, de fato, debatido é o quão dispostas estão as pessoas a deixar que tal
influência as atinja. A TV apenas manipula aqueles que se deixam manipular.
Não há dúvidas de que o poder hipnótico exercido por este aparelho pode
ser prejudicial às pessoas: o tempo perdido em frente a ele poderia ser
utilizado para a realização de atividades físicas saudáveis. Do mesmo modo, as
crianças estão passando cada vez mais tempo de suas infâncias hipnotizadas
pelos desenhos animados e programas infantis, o que tem levado a um aumento do
índice de obesidade causado pela sedentarização. Além disso, a necessidade de
economizar tempo faz com que as pessoas deixem de ler livros e jornais e passem
a recorrer aos filmes e telejornais, sujeitando-se à perda do senso crítico
causada pela manipulação da opinião exercida pela mídia.
São bastantes os argumentos que demonstram a face manipuladora da
televisão, entretanto, é necessário analisar as falhas humanas que nos fazem
permitir tal manipulação.
É possível, afinal, ter acesso a canais que incentivam os exercícios
físicos através da demonstração de aparelhos de academia, bem como da exibição
de jogos esportivos. Se as crianças estão passando muito tempo vendo TV, é por
que seus pais permitem que isso aconteça, muitas vezes porque deste modo elas
ficam em silêncio. Cabe ,
pois, a eles o papel de regularizar horários e realizar as tarefas alternativas
e saudáveis com seus filhos. Do mesmo modo, cabe a cada um escolher os
telejornais que se mantém mais fiéis à realidade e buscar informações extras
nos outros meios de informação, procurando formar uma opinião independente e
própria.
É fácil culpar a televisão, acusando-a de ser manipuladora, mas a verdade
é que o homem criou este aparelho e deve, portanto, exercer o controle sobre
ele. Se o que ocorre é o contrário, é porque está havendo algum erro na ordem
natural, uma inversão de papéis.
Aluna: Raíssa A.
Vieira
