APROVADOS/2015

DRIELLY QUITAKAWA FERREIRA DA SILVA -

ENGENHARIA FLORESTAL - UEM/PR

EDSON PRANDINI JÚNIOR - FISIOTERAPIA - UFMS/MS

SOFIA BEATRIZ PESSINI - FISIOTERAPIA - UFMS/MS

RAÍSSA A. VIEIRA - MEDICINA - UFU/MG - 1o. lugar
- USP/R.P. -70o./100.


Modalidade: Narração
Proposta: Transformar reportagem jornalística em narração
Manchete: Desmascarado milagre das lágrimas de cristal


Título: Vida em pedacinhos


Estou desesperada, perdendo o equilíbrio de tão sozinha. Só quero atenção, um pouco de proteção e carinho. Resolvo, então, fazê-lo. Não poderia ficar chorando para sempre. Coloquei-os em seus devidos lugares, um seguido do outro, nem imaginava que seria possível. Calei meu choro com os pedacinhos de cristais. Agora sou diferente, única, minhas lágrimas são cristalizadas e rolam sobre a minha face, que fica escondida sob os lenços.
Sob os lenços também se escondia o rosto de minha mãe, a mãe que Maomé me levou tão cedo... Lembro-me de seus ensinamentos sobre a vida muçulmana, todas as longas roupas mortas e quentes que comprávamos. Lembro-me até de suas broncas quando eu dizia querer sair sozinha de casa... Que falta me faz! E, por essa falta me veio a ideia de mexer em seus cristais, quando, por descuido, derrubei um. Este despedaçou-se em pequenos caquinhos... minha tristeza não demorou muito a se manifestar, minha válvula de escape também não...
Após minha libertação do medo e da insegurança, veio a parte da ação: meu pai e suas crenças. Eu sabia que ele iria acreditar em mim, então, logo que chegou do trabalho, já fui correndo encher meu estoque de mentiras. Meu pai estava muito nervoso nesse dia, o trabalho havia sido muito intenso. Achei bom, assim seria mais fácil “chorar”. Fui conversar com ele, começamos a discutir e, conforme a conversa ia ficando mais agressiva, uma lágrima brilhante se aproximava. Chorei. Ele ficou estático, mudo. Apenas me olhava, com os mesmos olhos que minha mãe me olhava quando ficava contente comigo. Tive vontade de correr para o céu e abraçá-la. Meu pai me pegou nos braços e perguntou-me como isso havia acontecido. Eu só disse duas coisas: mamãe e Maomé. Ele compreendera. No dia seguinte, levou-me à casa de várias famílias amigas e, num instante, havia centenas de pessoas ao meu redor, observando-me com uma estranha expressão no rosto.
Pelo menos, não era mais sozinha, não tinha medo de tirarem meu pai de perto de mim, mas sabia da minha mentira. Em algumas semanas, além da população do Vale Bekaa, os médicos também queriam me ver, estudar meu corpo e relatar um milagre. Levaram-me para uma sala branca, me fizeram mostrar o rosto. Eu estava com medo de novo. Descobriram e contaram ao meu pai o que estava havendo comigo. Eu estava à beira da cegueira, meus olhos não podiam continuar mentindo.
Ele me olhou, pegou o Alcorão, onde todas as regras muçulmanas se estabelecem, e jogou em mim. Disse que não acreditava no que eu havia feito, e que Maomé poderia ter levado a mim e não minha mãe. Ele me bateu, me bateu muito. Fui castigada, amaldiçoada e quase expulsa de casa. Nada teve efeito. E vejo, que os cristais é que quebraram a minha vida, deixando-a em pedacinhos... caquinhos.


Aluna: Lara Júlia Kitagawa, 16.




Modalidade: dissertação argumentativa
Método: dedutivo com contra-argumentação
Tema: Legalização das drogas


Título: O fruto proibido

Não é recente o surgimento de discussões relacionadas à descriminalização e legalização das drogas. A verdade é que o grande número de problemas que o tráfico destas substâncias tem trazido para a nossa sociedade faz com que busquemos soluções ou, ao menos, meios de amenizar as consequências deste mercado negro e violento. A legalização seria um modo eficaz e pacífico de reduzir a influência mafiosa dos traficantes.
O que é mais preocupante é o fato de que tais problemas abrangem não só questões judiciais, mas, principalmente, questões sociais, uma vez que o tráfico faz aumentar a violência, a criminalidade e os problemas de saúde de uma população. Deste modo, o usuário afeta a si próprio, à sua família e à sociedade para conseguir ficar em dia com o pagamento de seu fornecedor, roubando e matando, caso seja necessário. Ora, através da legalização das drogas, o controle dos usuários passaria a ser do governo, sendo possível evitar tantos transtornos e auxiliar usuários e familiares no que diz respeito à saúde.
Analisando a fundo, percebemos que a maioria das pessoas que se deixa envolver pelas drogas o fazem ou devido ao meio social em que vivem (favelas e periferias) ou por necessidade de chamar a atenção de seus familiares. Neste segundo caso há, geralmente, ocorrência de famílias desestruturadas e de rebeldia por parte dos usuários. Se a droga deixar de ser proibida, deixará, também, de ser um instrumento para atingir autoridades familiares, passando a ser vista pelos jovens não mais como uma forma de gerar “emoção”, mas sim como veneno, caminho mais curto para a morte. Haveria, pois, a possibilidade de redução no consumo.
Além disso, no que diz respeito à economia, não há melhor forma de arrecadar verbas para o tratamento e instrução de dependentes que a taxação de impostos sobre a venda da própria droga. Neste caso, este dinheiro deveria ser utilizado na área da saúde, visando à diminuição dos efeitos das drogas para os usuários. Outro ponto a favor, supondo que não apenas as drogas “leves” – estasy e maconha – mas também as injetáveis fossem regularizadas, seria a possibilidade de se oferecer agulhas descartáveis, fazendo diminuir a propagação de doenças como a AIDS.
Há quem insista em dizer que a legalização das drogas causaria um aumento drástico no número dos viciados. No entanto, mesmo não havendo garantias sobre os resultados de tal medida, basta fazer analogia ao álcool e ao cigarro, drogas nocivas legais em nosso país, para notar que permitir não é incentivar o uso.
Por fim, havemos de concordar que se trata de uma questão delicada. Para que projetos deste cunho funcionem, é necessário que o governo tenha ética para tomar as devidas medidas, abrindo mão da corrupção em prol da sociedade. Casso assim seja, uma nova era, livre do tráfico de drogas, poderá estar por vir.


Aluna: Raissa A. Vieira, 17.