APROVADOS/2015

DRIELLY QUITAKAWA FERREIRA DA SILVA -

ENGENHARIA FLORESTAL - UEM/PR

EDSON PRANDINI JÚNIOR - FISIOTERAPIA - UFMS/MS

SOFIA BEATRIZ PESSINI - FISIOTERAPIA - UFMS/MS

RAÍSSA A. VIEIRA - MEDICINA - UFU/MG - 1o. lugar
- USP/R.P. -70o./100.

SÓ QUERO VOLTAR PARA CASA

Proposta: texto livre a partir de atividade de escrita automática.
Modalidade: narração
Palavra-tema: nuvem
Palavras selecionadas: casa, cantar, brilhar, falecer, ser, ter, Hollywood, Los Angeles, San Francisco, lua, estrelas.

Título: Só quero voltar para casa.


Saudade. Ah, que saudade eu tinha. Era tudo tão mais simples. Estudar, sair, de vez em quando ajudar papai com a igreja e ensaiar para o coral que eu tanto amava. Papai dizia:
_ Cante para mim, meu rouxinol. Tua voz é tão surpreendente. Eu a adoro.
E eu cantava. E era sublime. Eu amava. Todos os domingos mostrava, aos poucos que iam à igreja, o quão potente era a minha voz. E todos amavam.
Mas um dia ocorreu-me que havia cansado. Então disse ao meu queridíssimo pai:
_ Papai, eu quero ir, mudar, ser, crescer e ter mais. Cantar sob as estrelas e o luar. Papai, há um teatro musical com o qual as pessoas viajam para atuar. Eu quero ir. Você me permite?
_ Meu bem, entenda. Você é minha filhinha e eu não aceitaria perdê-la. Já não me basta a morte de sua mãe e agora isto? Você não vai.
_ Mas papai...
_ Nada de “mas”. Você não vai e pronto. Acabou.
E então eu fugi. E fui para o meu sonho, o teatro.
Chegando lá, tive que me acostumar com as novas regras, pois eu era a novata. Precisava aprender.
Eu fiquei no teatro uns dois anos e meio. Passei por San Francisco, Los Angeles, Hollywood. Mas, enfim, percebi que meu destino não era lá. E fui embora.
Depois de horas de viagem, cheguei em casa. Toquei a campainha e quem atendeu não foi o meu pai, foi uma mulher estranha, com um vestido preto. Ela estava chorando.
Então eu entrei. E vi. Vi meu pai. Dentro de um caixão.

Maria Eduarda Camargo, 12. (7° ano)

07/03/14