Proposta: transformar relato oral em narração.
Modalidade: Narração em 3.ª pessoa – enredo linear
Tema: Aconteceu numa festa de S. João
Título: Justiça ou Vingança?
Era novembro, uma tarde comum para os jovens de Campinas. Todos juntos, tomando suas cervejas e fumando seus cigarros numa pracinha da cidade. Havia um garoto novo na turma, seu nome era Márcio. Dizia ele que vinha de Niterói, do Rio de Janeiro, que havia morado lá por muito tempo.
Márcio estava contando sobre sua vida e sobre suas aventuras em Niterói. Em meio a esse assunto, lembrou-se de uma festa junina a que tinha ido. Foi numa fazenda de um amigo de seu tio avô.
Ele passava a mão na nuca, como se quisesse lembrar detalhadamente os fatos, e complementou que também havia levado sua namorada Míriam, e suas amigas, Juliana e Andréa. E isso só havia sido possível porque Míriam tinha ido dirigindo, pois os outros três ainda não tinham carta de motorista. Cada vez que Márcio narrava uma parte da história, parava, dava um rápido trago em seu cigarro e voltava.
A festa estava muito agitada, era bem tradicional, daquelas com pipocas, docinhos, quentão, vinho e chocolate quente. Sem esquecer da enorme fogueira que havia no terreno.
Márcio bebeu uma cerveja aqui... Outra ali, mais uma... Um vinho para aquecer... Mais um... E tudo parecia engraçado para ele, tudo girava. Juliana estava quase dormindo de tão bêbada e Míriam... Ela estava muito mal, precisava ir para casa rápido.
Dentre todos, o que estava mais são era Márcio, e mesmo que não tivesse carta de motorista, para o bem de todos, ele iria dirigindo para casa. Ele não se lembrava muito bem do carro de Míriam, só sabia que era branco. Mas estava escuro, não dava para enxergar direito, realmente. Então, pegou a chave e tentou abrir um carro. Não era aquele, e ele sabia muito bem que não era, mas tinha que levar Míriam para casa logo. Forçou a chave, deu alguns chutes e abriu. Ele sabia fazer ligação direta, assim, resolveu pôr em prática sua habilidade.
Dirigiu rápido, errou alguns caminhos, mas chegou à casa de Míriam. Todos foram dormir, reclamando do tanto de bebidas que haviam tomado. Quando acordaram, ainda reclamando, Míriam perguntou por seu carro, e se havia corrido tudo bem. Márcio disfarçou e logo disse que sim, apontando para o carro estacionado. Míriam olhou e soltou um grito, dizendo que aquele não era seu carro, que era de um ex-namorado seu. E ainda disse que tinha certeza que de que Márcio havia feito isso de propósito.
Márcio logo confessou que sabia que aquele não era o carro certo, mas que estava com medo de que algo ruim acontecesse com ela por causa da bebida. E que ele sabia o tempo todo de quem era o carro. Havia sido pirraça. Resolveram, então, procurar o ex-namorado de Míriam. Voltaram à fazenda.
Chegando lá, só restavam o Corcel branco de Míriam e um homem de chapéu de couro preto, o qual reconheceu Míriam. Ela se desculpou, e explicou o acontecido. Ele ficou furioso na hora, mas, por respeito a ela, tudo ficou bem.
Márcio se safou da cadeia, vingou-se do ex de sua namorada e se gaba até hoje de sua tremenda façanha.
Aluna: Lara Júlia Kitagawa, 17.
Modalidade: dissertação argumentativa
Método: dedutivo
Técnica: contra-argumentação
Tema: Fronteiras
Título: PAREDES DE VIDRO
Define-se “fronteira” como o fim ou limite, seja físico ou abstrato, de uma região ou ideia. Em nossa realidade, isso retrata as limitações sofridas pelas camadas subdesenvolvidas da sociedade, as quais não possuem condições de viver, de modo igualitário, junto às pessoas das classes média e alta. A desigualdade social é, hoje, a principal fronteira imposta às pessoas de baixa renda.
Este processo se inicia com a divisão geográfica entre ricos e pobres. No Brasil, temos a região Sul-Sudeste bastante desenvolvida e industrializada, ao passo que o Nordeste se encontra em condições de miséria, fome e seca. Este é um tipo de fronteira física, que se utiliza do quadro geral de uma região como meio de caracterizá-la, generalizadamente.
Observamos, também, no caso particular do Rio de Janeiro, onde se localiza grande parte da elite brasileira, um forte exemplo de divisão socio-espacial: ao observar o belíssimo cenário de Ipanema, onde são gravadas as famosas novelas globais, nota-se, ao fundo, a existência de uma grande favela na região dos morros da cidade, sendo, a linha que separa essas duas realidades, restrita a alguns poucos metros de distância. Não bastasse os países serem divididos entre pobres e ricos, também as cidades apresentam tal segregação, o que explicita um problema social de toda a nação.
As principais fronteiras são, porém, aquelas imperceptíveis aos olhos, as quais se encontram no subconsciente das pessoas. Os pobres não freqüentam os mesmos locais que os ricos porque, primeiramente, não possuem dinheiro suficiente para cobrir os altos custos deste modo de vida; depois, porque se sentem envergonhados e inferiores por suas aparências humildes e simplórias.
Essas fronteiras são a representação do preconceito e descaso dos ricos e dos pobres, que, acostumados com “o mundo como é”, não mudam suas ações ou suas ideologias, os primeiros por não se importarem o suficiente e, os segundos, por preferirem se isolar da sociedade, aceitando-se como seres “inferiores”.
No livro “Capitães de Areia”, vê-se uma grande separação entre as classes, evidenciada pelo desprezo que a sociedade tinha em relação aos meninos, considerando-os bandidos ou, até mesmo, animais. Da ficção para a realidade, este é um problema existente em todo o Brasil.
As fronteiras sociais e o preconceito representam um atraso para uma nação. A eliminação de ambos é algo que depende de medidas por parte do governo, que visem balancear a distribuição de renda e, principalmente, do combate a este sentimento separatista entre as pessoas. A chave para o desenvolvimento é a destruição de fronteiras deste tipo, não a consolidação das mesmas.
Raíssa A. Vieira, 16.
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