Modalidade: dissertação argumentativa
Tema: O importante não é dar o peixe, mas ensinar a pescar
O ato de dar esmolas é correto? A esmola é uma das piores
criações humanas. Vale para aquele gesto em relação ao que vem pedir algo em
uma das várias situações do cotidiano. Logo que vê o pedinte, a pessoa dá um
trocado. Deu porque se solidarizou com o pedinte? Ou deu porque não queria ser
importunado? Deu porque queria se livrar do mau-cheiro, da roupa suja, porque
não quis se envolver.
A questão é outra. O que leva alguém a se tornar um pedinte?
Eis algumas situações: o fato de saber que tem alguém que dá a esmola. O fato
de não ter tido uma oportunidade na vida. O fato de ter sido preterido pelas
condições de nascimento, sem acesso ao estudo ou a um trabalho digno. Assim
sendo, é mais fácil pedir e viver dos restos do que labutar trabalhosamente e
receber um salário em troca do trabalho prestado. Esmola para um homem que é
são, ou o mata de vergonha ou vicia o indivíduo. Por paradoxal que possa parecer, não é a
esmola que ajuda o cidadão. Essa o humilha, minimiza-o. Não se pode esquecer
que a situação de miséria é uma das causas da violência, pois nem todos os
marginalizados se sujeitam a viver da humilhação da esmola.
Entretanto, existem pessoas que dizem ser a favor da esmola,
pois o pouco que oferece ao outro fará alguma diferença. Porém, já dizia içami
Tiba, psiquiatra, educador e autor do livro “Quem ama educa”: “esmola vicia e
leva a pessoa a viver na condição de se acomodar com o pouco que recebe”.
Portanto, a quem a esmola faz mal? A quem recebe e a quem
dá. Quem recebe é levado a se acostumar com a miséria e a humilhação. Quem dá
acaba pensando que fez um grande favor ao pedinte, quando na realidade lhe fez
um mal. Esse é o problema da esmola, não ajuda a superar a situação, mas a
alimenta, é um instrumento de manutenção da situação. É evidente que se
necessita haver caridade e solidariedade. Mas esses valores devem ser
cultivados, ajudando aquele que a recebe a crescer e sair da situação de
miséria e marginalidade.
Assim, a saída para os pedintes é, de fato, a educação, a
orientação e a conscientização. Esta é a melhor maneira de ajudar. Se
estudarem, com o conhecimento adquirido, o futuro dessas pessoas será muito
melhor, digno, com trabalho, saúde, honestidade e, com isso, construirão uma
boa infra-estrutura familiar e sairão das ruas.
Juliana Caputo, 19.
Data: 13/06/2014.

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