Modalidade: crônica
Tema: aniversário
Proposta: a partir das ideias do poema “Aniversário”
de Fernando Pessoa, produza uma Crônica em que faça reflexões sobre um
aniversário ocorrido recentemente.
Lembro de quando tinha oito anos, eu era gorducha, baixinha, tinha o
cabelo curto e usava um aparelho cor-de-rosa. Odiava tanto aquele aparelho! Eu
queria parar de usá-lo o mais rápido possível, queria ir às baladinhas a que
minhas primas mais velhas iam. Eu queria ser “gente grande” logo... como todas
as crianças querem, não é?
O tempo passou, ontem mesmo fiz dezesseis anos, na minha festa não havia
mais bexigas, nem copos coloridos, não havia mais docinhos enfeitados que a
minha mãe fazia. De igual, só os amigos, que hoje estão sete palmos maiores.
Em meio ao bolo e dezesseis velinhas brancas, comecei a me lembrar da
época que queria crescer. Dá vontade de voltar no tempo, de deixar as
responsabilidades e medos. Apenas queria voltar a me preocupar com o nome que
meus bichinhos de pelúcia teriam, e se haveria sobremesa depois do jantar.
Aniversário... sempre é bom antes da velhice, das responsabilidades, de
perceber que daqui a um tempo, é a minha vez de tomar decisões e caminhos.
Aluna: Lara
Júlia Kitagawa, 16.
Modalidade: dissertação
argumentativa
Método: dedutivo com contra-argumentação
Tema: Abrigamento compulsório das crianças de rua
Título: A complexidade do cuidado
Abandono, medo, raiva, frio e fome. A vida de muitas crianças de rua se
resume a estes sentimentos, o que, na maioria das vezes, leva-as a procurar
conforto e soluções na criminalidade ou nas drogas. As garotas realizadoras dos
“arrastões” em São Paulo ,
em agosto deste ano, evidenciam a triste realidade de milhares de brasileiros
que vivem do crime devido à miséria. É dever dos governantes do nosso país
tomar providências, mesmo que drásticas, para evitar e solucionar esses
problemas, e o abrigamento compulsório é uma delas.
Deve-se, acima de tudo, buscar os fatores que levam essas crianças à
criminalidade. Na maioria das vezes, a falta de estrutura familiar, o
desemprego dos pais e a pobreza extrema fazem com que a vida desses pequenos se
torne uma bagunça e as ruas e as drogas surgem como uma “válvula de escape”
para eles, sendo a criminalidade uma inevitável consequência. Solucionar o
problema das crianças de rua significa, para o governo, evitar que tais
famílias cheguem a esse grau de abandono e implementar programas de ajuda para
resolver casos já existentes, bem como oferecer cursos e empregos para pais e
filhos jovens.
É nesse sentido que as casas de abrigamento se fazem válidas, uma vez que
podem proporcionar às crianças a sensação de proteção familiar. Abrigá-las
compulsoriamente é impor limites e regras que constituirão as bases do
desenvolvimento, da consciência moral, papel este fundamental da família. Além
disso, supondo que funcionem adequadamente e contem com profissionais de
competência e aptidão, tais casas podem se tornar centros de auxílio
psicológicos e de formação técnica para crianças e jovens.
É necessário, no entanto, manter em mente que, para que haja os
resultados positivos, muito deve ser mudado no Brasil. O dinheiro público deve
ser aplicado devidamente e os profissionais envolvidos devem ser escolhidos com
cautela, visando ao bem estar das crianças. Enquanto houver corrupção e descaso
por parte de nossos governantes, não haverá projeto que possa resolver esse
problema tão amplo e complexo. É preciso que haja integração entre Estado e
sociedade para fazê-lo funcionar, bem como paciência; afinal, não é algo que
possa ser feito em um piscar de olhos.
Aluna: Raíssa
Augusto Vieira, 17.

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